Mais de 150 pessoas participaram na quinta-feira, 9, de uma audiência pública realizada à noite na Câmara Municipal de Vereadores de Três de Maio, para debater a implantação de uma universidade pública na região Norte do Rio Grande do Sul. Com a presença de professores e alunos das escolas Dom Hermeto, Cardeal Paceli e Castelo Branco, mais entidades representativas da sociedade civil e de vereadores, a reunião foi positiva à medida que foi criado um comitê, que será responsável pela mobilização do município frente ao desafio de lutar por um estabelecimento público de ensino superior na região. A função dos comitês é informar ao Comitê Central de Ijuí, base inicial do movimento que ganha conotação regional, os encaminhamentos e atividades desenvolvidas nos municípios, já que outras audiências públicas estão sendo agendadas nos municípios das regiões Noroeste, Missões e Norte. O passo inicial dos comitês será a coleta de assinaturas através de um abaixo-assinado, que já está acontecendo na região. Cada município terá um representante no Comitê Central, com sede em Ijuí.
O presidente do Legislativo de Três de Maio, vereador Delmar Mebius (PMDB), abriu a audiência pública, evocando a participação da comunidade tresmaiense no movimento pró-universidade pública. “Se está difícil conseguir emprego, quem dirá estudar. Precisamos, independentemente de siglas partidárias, mobilizar a comunidade regional e nossos representantes em Brasília”, disse. O vice-presidente da Câmara de Vereadores de Ijuí, vereador João Pedro Fagundes (PT), proponente da mobilização regional por uma universidade federal, lembrou que o momento é histórico e incitou a participação de todas as Câmaras de Vereadores, professores, estudantes e movimentos sociais, para se engajarem no movimento. “O governo federal tem a obrigação de democratizar o debate com as outras regiões do Estado. Mas não pode, em hipótese alguma, se restringir apenas a região da Campanha, que é um movimento legítimo, mas não exclusivo”, afirmou.
Fagundes lembrou que a região da Campanha, antes de ter uma universidade pública, deve pensar em políticas públicas e garantias centradas na reforma agrária. “Será que o governo deve investir numa região onde o latifúndio é um dos maiores do Estado e, a concentração populacional é menor do que a nossa região, onde prevalece o minifúndio, além de ser desassistida de educação pública superior?”, questionou, explicando que aquela região já é atendida por três universidades: em Santa Maria, Pelotas e Rio Grande. “Por Justiça, por direito, queremos que os investimentos do governo federal sejam convergidos para a nossa região”, defendeu Fagundes.
O coordenador do DCE da Unijuí, Fábio Lemes, falou sobre a rotina de estudar numa universidade comunitária, “que não é particular, mas é cara para os estudantes”. O líder universitário também enfatizou a importância do ensino público superior, como forma de garantir a permanência dos jovens na região. “Não há nenhuma estrutura pública para dar suporte ao ensino superior numa região de quatro milhões de habitantes. Não há dinheiro para sustentar uma massa de trabalhadores com os problemas econômicos que enfrenta a nossa região. Isso somente será possível, se pensarmos estrategicamente em cursos superiores, extensão e pesquisa”, disse Lemes. O coordenador do DCE também propõe que o Ministério da Educação (MEC) defina os critérios de criação de uma nova universidade no Estado para escolher o local. A próxima audiência pública deve acontecer em Santo Ângelo, em data a ser definida pela Câmara de Vereadores daquele município. Em Ijuí, o Comitê Central realiza a sua próxima reunião no dia 16 de junho, na Câmara de Vereadores. No dia 14 de julho acontece um ato público, às 19h, no estacionamento da Sede Acadêmica da Unijuí. No mesmo dia será realizado um Seminário Regional, em local e horário a ser definido.
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